sábado, 16 de abril de 2011

A essência da alma

Ontem, indo comprar a minha roupa de santo, me dei conta da tentativa de resgate que tenho feito de mim mesma e das minhas origens. Será que isso foi resultado daquele tal "corte lacaniano" que a minha analista fez? Sei lá!
Enfim, não é o retorno do recalcado delineando meus sintomas (como diria a minha supervisora), mas um resgate da minha alma que parecia vagar por aí, sem lenço e sem documento. Perdida de mim mesma, sinto ter vagado por espaços jamais imaginados; entre idas e vindas aos meus próprios espaços, amores, sentimentos e experiências, percebi que por mais que travemos uma verdadeira batalha com o nosso passado, somos resultado dele. Não que isso seja a previsão de um futuro fatídico e imutável, mas a possibilidade de repensar as escolhas que fazemos durante o caminho (ou as imposições que a vida nos trouxe) e reescolher. Isso é fantástico: poder escolher outro caminho ou mesmo afirmar aquele escolhido lá atrás! Isso me garante a possibilidade de me reinventar D.I.A.R.I.A.M.E.N.T.E.
Reinvenção de mim mesma! Por mais que o meu passado me lembre de um lugar que não gosto, eu escolho a minha essência e enfeito a minha alma com outros tons, mesmo que o amanhã seja apenas uma miragem.



Alma

Há almas que têm
as dores secretas
as portas abertas
sempre pra dor
há almas que têm
juízo e vontades
alguma bondade
e algum amor
há almas que têm
espaços vazios
amores vadios
restos de emoção
há almas que têm
a mais louca alegria
que é quase agonia
quase profissão
a minha alma tem
um corpo moreno
nem sempre sereno
nem sempre explosão
feliz esta alma
que vive comigo
que vai onde eu sigo
o meu coração

Um comentário:

  1. Amei essa frase: "eu escolho a minha essência e enfeito a minha alma com outros tons, mesmo que o amanhã seja apenas uma miragem"

    :**

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